Ex-ministra francesa julgada por corrupção em benefício da Renault-Nissan

Ex-ministra francesa julgada por corrupção em benefício da Renault-Nissan

A antiga ministra francesa Rachida Dati começa hoje a ser julgada em Paris, ao lado do ex-presidente executivo da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, num processo por corrupção e tráfico de influência quando exercia funções de eurodeputada.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Julie Sebadelha - Pool via Reuters

A política de 60 anos é suspeita de ter recebido cerca de 900 mil euros entre 2009 e 2013 para defender os interesses do construtor automóvel no Parlamento Europeu, algo que proibido por lei.

O Ministério Público considera que o contrato de honorários assinado com Ghosn mascarava atividades de `lobbying`, enquanto a defesa insiste que Dati atuou apenas como advogada da RNBV, a sociedade neerlandesa que coordenava a aliança Renault-Nissan.

O caso surgiu em 2019, após buscas na sede da Renault na sequência da detenção de Carlos Ghosn no Japão. Refugiado atualmente no Líbano, o gestor de 72 anos não deverá comparecer em tribunal, alegando irregularidades na convocatória, mas manifestou disponibilidade para depor por videoconferência.

A acusação questiona a realidade do trabalho jurídico de Dati, que só se tornou advogada meses depois da assinatura do contrato, e aponta como indícios três perguntas parlamentares e posições favoráveis ao setor automóvel. A antiga ministra arrisca dez anos de prisão por corrupção passiva e uma multa de 450 mil euros.

Apesar da derrota nas eleições municipais de Paris, Dati mantém o cargo de presidente da câmara do 7.º distrito de Paris, que poderá perder caso seja declarada inelegível por cinco anos. Ao mesmo tempo, solicitou a reintegração na magistratura, decisão que caberá ao Conselho Superior da Magistratura após o julgamento.

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